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| Almir Santos |
O que o impulsionou a entrar na carreira política?
A carreira política na minha vida tem sido fruto do meu trabalho de evangelização e da minha formação e liderança dentro da Igreja Católica. Desde jovem, eu sempre me envolvi em movimento jovem, pastorais e com isso eu fui tendo oportunidade de observar as necessidades das pessoas. Na minha juventude, eu fiz parte da luta da meia passagem, da conquista dos primeiros grêmios estudantis, então esse trabalho dentro da Igreja mesclado com o movimento da década de 1990 me impulsionou a me lançar como candidato. A nossa Igreja tem uma doutrina social muito forte e pede que os leigos possam se comprometer politicamente. E acima de tudo, acredito que foi vontade de Deus, acredito que faz parte da minha missão ser político.
E que projeto seu aprovado foi o mais importante?
Eu apresentei vários projetos no 1º mandato e também agora no 2º mandato e eu acredito que alguns projetos foram muito importantes, eu queria citar alguns. No município não tinha Sistema Municipal de Educação e foi indicativo meu, a sua criação. O que é criar o Sistema Municipal de Educação? È dar liberdade para o município de Ananindeua, de acordo com a realidade das escolas, de mudar a sua matriz curricular. Ananindeua era totalmente dependente daquilo que o Estado resolvesse e isso não contemplava a realidade das escolas, esse sistema dá uma série de ganhos para a educação no município. A inclusão de disciplinas na educação de jovens e adultos também foi indicativo do meu mandato, o quê que é isto? Incluir na educação de jovens e adultos, disciplinas importantes, como Língua Estrangeira, Química, Física. Não basta o aluno da Educação de Jovens e Adultos (EJA) terminar o seu período de ensino, mas ele tem que terminar e concluir bem, para concorrer de igual pra igual com aqueles que fazem o Ensino Regular e ter mais oportunidade de passar no Vestibular e em Concursos Públicos.. Outro projeto que eu não poderia deixar de citar, foi a criação do Centro de Referência das DST’s (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e AIDS no município. Hoje esse centro funciona na Estrada do Maguari e não só faz atendimento aos portadores do HIV, mas também faz todo um trabalho com a questão da assistência social com essas pessoas, a questão psicológica com as famílias e também estender o trabalho com a DST’s em geral. E por fim gostaria de citar um projeto, dentre os outros que não poderei citar, a liberação das mães que são funcionárias públicas municipais e que têm filhos com necessidades especiais e comprovadamente precisam se ausentar um período do serviço, para que elas possam acompanhar seus filhos no tratamento dessa necessidade especial. E é cientificamente comprovado que os pacientes têm uma melhora no tratamento quando acompanhados por seus pais. Qual é a maior dificuldade na função do vereador?
Então, eu apontaria o entendimento do papel do Legislador pela sociedade, a sociedade como um todo culturalmente, já vem de um histórico cultural onde a população não entende o papel do vereador, acaba votando nas pessoas que dão a cesta básica, que mandam fazer a limpeza da rua, não é papel do vereador fazer isso, o papel do vereador é assessorar, fiscalizar e criar leis que beneficiem a comunidade, a sociedade e o município como um todo. E esse paradigma que existe de que você no executivo tem que atender somente pessoas que são da sua base aliada, no nosso caso, o nosso Prefeito, ele vai atender muitas vezes se tiver um bom senso político, mas se ele não tiver um bom senso político, ele vai acabar freando alguns projetos bons para a população, porque você é oposição; então você é prejudicado e a população é prejudicada, diria então, que o governo municipal e estadual precisam entender que precisa fazer uma administração, uma gestão suprapartidária, observando os projetos bons pra população, mesmo vindo de origem que não seja da sua base aliada.
Em sua opinião, por que a comunidade não comparece as sessões da câmara?
Bem, isso é cultural, desde a colonização do nosso País, a população sempre ficou a margens de participar das decisões políticas isso no Brasil colônia, no Brasil império, o ganho do voto da mulher é muito recente, então, isso vem de uma trajetória, histórica, cultural do País. E essa realidade de proximidade da sociedade vem da década de 1980, com o movimento das diretas, movimento das organizações dos sindicatos, das associações, das lutas trabalhistas do nosso País que se dispersou, isso fez com que a sociedade se atentasse que ela precisava estar discutindo a política mais inserida, realmente fazendo intervenções. Nós temos aí uns 20, 30 anos de participação e o nosso País data de 1500 da descoberta de sua colonização, são anos e anos atrasados, 30 anos, acho que já estamos fazendo um ganho muito grande. A população precisa entender que ela necessita estar atenta no plenário, nas sessões, observando a atuação dos vereadores, dos deputados federais, estaduais, é longe, é mais distante o congresso nacional em Brasília, mas na sua cidade acompanhando, você votou em alguém você precisa acompanhar essa pessoa. Então, não participar das sessões demonstra o desinteresse, o descrédito da população, mas isso não pode ser pautado só na corrupção que hoje todo mundo faz, mas, é algo histórico e cultural, que faz parte da forma que o nosso País foi colonizado, e da forma como nosso País, e das autoridades do nosso País cuidaram de deixar a população distante do Poder.
Na sua visão, fazendo uma análise em todos os principais pilares da atuação executiva, Educação, Saúde e Recursos. O que melhorou e o que piorou em nossa cidade?
O nosso município tem uma arrecadação muito considerada e é o segundo maior Município do Estado, eu diria que nesse período, a Educação dentro do Município teve uma melhora significativa. Porém ainda precisa avançar muito em situações básicas como Saúde, e Saúde é um problema nacional, porém nós não podemos dizer: “Eu não vou cuidar de Saúde no meu Município”. As pessoas ainda continuam morrendo nas unidades de saúde por falta de escalpes, de soro, de um remédio básico como Captopril e pela falta de atendimento. Hoje ainda temos muitas áreas de Ananindeua com saneamento zero, nosso Município não tem 5% das áreas saneadas, então temos muitos setores, muitos segmentos que precisávamos ter melhorado neste período de 2005 até agora 2010 e que precisam ser resgatados. Na área da Assistência Social, na área da Saúde e Infra Estrutura o Município fica muito a desejar, não avançou como poderia ter avançado, não investiu de forma correta e coerente, não aplicou os recursos de forma que deveria ser aplicado. O ponto que coloco de parabéns é a educação.
Quais são os seus planos futuros na carreira política?
Bem, os planos futuros de um político deve ser traçado com o seu grupo, com os segmentos que ele representa, o político precisa entender que ele não pode ficar fazendo carreira, passando seis, oito mandatos como Vereador. Passar um ou dois mandatos como Vereador é significativo e importante; agora você ter o quarto e quinto mandato, acaba se acomodando e não avançando naquilo que é importante. Eu tenho discutido com a minha assessoria e com os segmentos, em concorrermos em 2014, a uma vaga à Assembléia Legislativa a nível de Estado ou a Câmara Federal. Isso é um planejamento estratégico que temos feito desde o primeiro mandato, estamos tentando construir os tijolos para que possamos a cada tijolinho colocado, a cada oportunidade gerada, avaliar se temos a condição de junto com o grupo gerar oportunidades na Assembléia Legislativa ou na Câmara Federal, em 2014.
Considerações finais
A minha grande vontade e desejo, como Parlamentar, é ver o trabalho de conscientização da comunidade. Fora do Parlamento, lançamos através do nosso Instituto, um trabalho do Curso de Mobilização Social e Gestão Social que é justamente para conscientizar e formar a consciência cidadã, que é o grande objetivo do meu mandato e do grupo que trabalha comigo. Porque uma consciência cidadã vai fazer com que a sociedade participe mais ativamente, tome realmente a sua postura de cidadãos e de um sujeito social ativo. Sendo assim, com a sua participação, sua intervenção nas políticas públicas do Município e do Estado, fazer com que se tenha uma sociedade melhor. Que os recursos públicos sejam aplicados de forma coerente, de forma justa, dentro da legalidade, esse seria o grande troféu que eu poderia receber e se eu pudesse ajudar com a minha equipe, a levar cada vez mais o crescimento de uma consciência cidadã.